sábado, 6 de março de 2010

O Capote - Gecko


Um ESPETÁCULO. Essa é a definição que eu dou para "O Capote", peça da Cia. de Teatro Britânica Gecko, inspirada na obra de Nikolai Gogol e dirigida pelo criador do grupo Amit Lahav.
O espetáculo é cativante, logo de início música, o que já me encantou, e depois você percebe que a música é um ponto muito forte da Cia. Um dos atores, além de atuar muito bem, ainda toca vários instrumentos em cena. Além disso, a música dita muitas vezes o ritmo das ações dos atores; dita o ritmo de algumas cenas e com certeza dita o ritmo do espetáculo (tudo isso me encantou mais ainda). E o mais legal é que a gente percebe claramente que os atores são muito bem treinados. 
O teatro físico é outro forte da Cia. Todas as cenas são bem esculpidas, "dançadas", precisas, e mesmo ouvindo 8 idiomas em cena, você compreende e tem vontade de acompanhar toda a trama (outro fato que me encantou).
Fiquei feliz, pois pude apreciar um espetáculo pós-moderno, em que várias artes dialogam, mas que não perdeu seu sentido de teatro; não perdeu sua dramaturgia; não perdeu a magia do teatro. A ilusão que a Cia. Gecko propõe em algumas cenas, nos faz esquecer que estamos em um teatro,  nos faz esquecer do tempo que estamos ali (afinal de contas o espetáculo tem uma hora e meia), e eles fazem isso com técnica, com estudo, com treino, com trabalho. Acredito que é desta forma que eu quero fazer teatro; um teatro de pesquisa, vertical, novo em sua linguagem, mas mágico como o teatro sempre foi!