terça-feira, 29 de junho de 2010

Da Ideologia da Performance: Uma Reversão da Mídia


Interessa-nos, neste ponto,  examinar com mais atenção o que está por trás da linguagem da performance. Do por que da estrutura fragmentada, das imagens multifacetadas e das vozes eletrônicas. Do por que do sacrifício de Joseph Beuys? Questionar o que o Fluxus, com suas performances-demonstrações desejou mostrar.

Para encontrar alguma resposta, talvez seja preciso rediscutir a função da arte. O artista é antes de mais nada um relator de seu tempo. Um relator privilegiado, que tem a condição de captar e transmitir aquilo que todos estão sentindo mas não conseguem materializar em discurso ou obra.

Talvez a melhor definição de arte para o nosso tempo - tempo da eletrônica, da aldeia mcluhaniana, das imagens efêmeras- seja a definição cibernética de Schechner: "rearranging bits of information is the main way of changing experience" (O principal meio de trocar experiências é rearranjando bits de informação)

Cabe ao artista captar uma série de "informações" que estão no ar e codificar essas informações, através da arte, em mensagem para o público. Essa codificação não implica limitação, mas, isto sim, retransformação através de outros canais.

E retransformação, releitura são conceitos de momento. Trabalha-se com a redundância, com o reaproveitamento da própria arte através de uma outra ótica de observação. É a era do Pós-Moderno, estética híbrida, que examina e realiza com outra tecnologia conceitos formulados na modernidade.

E qual a mensagem que está sendo captada? A mensagem da mídia. A voz eletrônica do sistema (a voz orwelliana de 1984) que veicula seus estatutos e seus rostos padronizados. E essa emissão é cada vez mais fragmentada e subliminar. O sistema se insinua em cada texto, em cada imagem, em cada objeto utilitário. O sistema trabalha em multimídia. Artistas se "vendem" por um pequeno valor ou por uma breve aparição narcísica no espaço da mídia.

O discurso da performance é o discurso radical. O discurso do combate (que não se dá verbalmente, como no teatro engagée, mas visualmente, com as metáforas criadas pelo próprio sistema) da militância, do underground. Artistas como Beyus e o grupo Fluxus fazem parte da corrente que trouxe os dadaístas, os surrealistas e a contracultura entre outros movimentos que se insurgem contra uma sociedade inconseqüente (e decadente) nos seus valores e também contra uma arte que de uma forma ou outra compactua com esta sociedade.

O uso da collage, da imagem subliminar, do som eletrônico são propostas estéticas de releitura do mundo. Da mesma forma que a mídia "cria realidades", na arte de performance vão se recriar realidades através de outro ponto de vista. Resistente. Vai se jogar, sensivelmente, com as armas do sistema. A linguagem da performance é uma reversão da mídia.

A mídia manipula o real (artificialmente se criam padrões, mitos, imagens etc. que passam a ser aceitos como verdade). O que se faz na performance é, utilizando-se essas mesmas "armas" (incluindo-se tecnologia e eletrônica), manipular também o real para se efetuar uma leitura sob outro ponto de vista (como na metáfora Zelig de Woody Allen onde se cria uma realidade histórica).

A linguagem fragmentada diz respeito ao nosso tempo. O séc XX (segunda metade) é o século do fragmento. As tentativas unificadoras do século XIX, de se entender o mundo através do cientificismo racionalista, já não cabem mais. Se o século XIX produziu a fotografia, e depois o cinema que trabalham com o registro, a documentação; o século XX introduz a televisão, o vídeo, que trabalham com a imagem efêmera, fragmentada, sem memória. Qual a unidade que existe entre uma emissão e outra? Como bem coloca J. C. Ismael, após Hiroshima, o que nos sobra são os cacos, as peças do quebra-cabeça.

Da mesma forma já não faz mais sentido a cena naturalista (observada da fechadura da porta) nem o discurso narrativo. Não há "história" para ser contada - todas as "histórias" já são conhecidas. Na medida em que o teatro (parte dele) se basear em uma forma-idéia que vem do século passado, ele nunca mais ocupará o lugar de vanguarda, que já ocupou em outras sociedades, mas sim o de reboque das outras artes. Conservará apenas a função museológica. Isso por puro misoneísmo, porque a relação teatral do homem em frente do outro homem (mesmo com aparato tecnológico) é eterna.

COHEN, Renato. Performance como Linguagem. São Paulo: Perspectiva, 2009. p. 87-89.

Trabalho de ator





O ator fica com a fadiga, o espectador com a tristeza, alegria, amor, paixão, ódio, raiva...



segunda-feira, 28 de junho de 2010

Ator



A técnica permite que o ator se utilize de seu corpo de memórias!



domingo, 27 de junho de 2010

O artista!





Quanto mais você viver, mais experimentar..
Mais coisas terá sobre o que falar!



quinta-feira, 10 de junho de 2010

segunda-feira, 7 de junho de 2010